Saturday, February 14, 2009



Lavas os ruídos com palavras longas
Deixando-me beijar-te os olhos
Balançando-me no teu sorriso

Lanças o ardor na terra queimada
Adormecendo-me nas sombras
Cuspindo as entranhas do meu pensamento

Verbalizas a dor do silêncio
Rompendo o meu fugaz descanso
Lentamente como o bater das asas de uma borboleta sonolenta

Pché 08

Tuesday, October 07, 2008

Farto de abrir os olhos. Farto de não dizer nada. Mesmo que atire palavras ao ar juntando-lhes virgulas e entoações.

Farto de pequenos pedaços de canções que me iludem durante as marés baixas. Farto de ir sem voltar a lado nenhum. Mesmo que repita esquinas e sombras.

Farto de exigir ao céu manhãs douradas e noites suadas. Farto de ver, de pedir licença, de parar. Mesmo que nunca tenha saído do buraco.

Pché 08

Friday, July 25, 2008

Quero


Quero poder tocar-te
Quero cuidar das tuas feridas
Das tuas pegadas, dos teus sonhos

Quero estudar a cor dos teus olhos
Quero ler-lhes poesia
Vê-los sorrir, desejar conhece-los

Quero levantar a cabeça
Quero arrancar o sol do céu
Abrir as mãos, poder oferecer-to

Quero colher a chuva das nuvens
Quero despeja-la num sorriso teu
Acorda-lo, dar-lhe nome

Quero querer parar
Quero aprender a ouvir-te no silêncio
Sentir os teus passos, acalmar a solidão

Pché 08

Wednesday, September 12, 2007


Apagas a luz atrás de ti
Como um sinal,
Fúnebre e distante.

Sob o xadrez rodas os calcanhares
Na direcção da noite,
Negra e lenta.

Levas contigo a história
Extinta como a esperança,
Febril como uma manhã de Primavera.

Atrás da porta desapareces
Imortal como a sombra que me persegue
Escondendo a dor do adeus.

Pché 07

Monday, July 23, 2007

O borbulhar da vida em dias normais


O que é o fim
Mais do que a porta para o desconhecido.
O que é a palavra
Mais do que um borrão de humanidade.
O que é o gesto
Mais do que uma marca no tempo.
O que é o entardecer
Mais que uma mistura de cores adormecidas.
O que é o amor
Mais do que o borbulhar da vida em dias normais.

Pché 07

Tuesday, July 10, 2007


Encanta o céu
De pintadas gotas de luz.
Encerra o mar
De flamejantes cores transparentes.
Esquece a lua
De tacteantes sobras enegrecidas.

Enfrenta a estrada
De calados sentidos secretos.
Revela o fogo
De lembranças estilhaçadas.
Decifra a chave
De ficções derrubadas.

Quebra o espelho
De refractados sons sussurrantes.
Sela a névoa
De esburacadas fatias de nada.
Descansa a alma
De destemidos pedaços de vida.

Pché 07

Saturday, May 19, 2007


E a madrugada parece enraizar-se em mim
Vencendo-me no meu próprio tereno minado.
Lá, encontrei uma menina perdida
Dava voltas e voltas olhando para as estrelas
Ficando tonta a cada maroto rodopio.

Ri-me para ela, retribuiu-me com flores
Mostrou-me que era feita de papel, mandei-lhe um beijo.
Perguntei-lhe o nome, sussurou-me o seu segredo.
Caiu, tonta, no prado, segui-a ao sabor da eternidade
Cantámos de bruços, melodias até adormecer.

Acordei sobressaltado ao som dum pranto
Chorava furiosamente salinas e quentes lágrimas
Como duas correntes paralelas, a deixar marca.
Acena-me ao longe, comprometida e triste
Serpernteia, deixando um S como rasto que nunca poderei seguir.

Ergui os olhos, descobri-a dentro de mim
Respirei por ela, amei-a e mostrei-lhe a minha luz.
Quando o vento me varreu daquele mundo que não é meu
Pedi uma palavra, mas já tudo tinha passado
E percebi que a madrugada não tinha acabado.

Pché 07

07/05/07
To Miss S*