Tuesday, May 16, 2006

Planícies



«(…) Era um céu alto, sem resposta, cor de frio. O homem levantou a cabeça no gesto de alguém que, tendo ultrapassado um limite, já nada tem para dar e se volta para fora procurando uma resposta: A sua cara escorria sofrimento. A sua expressão era simultaneamente resignação, espanto e pergunta. Caminhava lentamente, muito lentamente, do lado de dentro do passeio, rente ao muro. Caminhava muito direito, como se todo o corpo estivesse erguido na pergunta. Com a cabeça levantada, olhava o céu. Mas o céu eram planícies de silêncio.(…)»

Sophia de Mello Breyner Andresen, Contos exemplares, P. 142

Saturday, May 13, 2006

No azul do céu



Venho aqui contar uma história
Sobre os ecos de uma estrela
Nos dias em que as gotas parecem diamantes
E tudo o que existe está sobre as nuvens.

Saído da toca depois do sol
Parece que a lua partiu e os olhos envelheceram
Nada indica qual o caminho do novo dia
Mas sei que o sonho está no azul do céu.

Pché 03